Portugal é internacionalmente reconhecido pela qualidade da sua indústria têxtil e vestuário. Este setor tem raízes profundas na economia nacional e é hoje uma referência de inovação, design e sustentabilidade. As 10 empresas listadas neste artigo foram fundadas entre 1845 e 1937 e, no caso da maioria, continuam ativas em 2026, várias delas como fornecedores de marcas internacionais de luxo e premium.
Este guia compila as histórias, especialidades técnicas, períodos críticos de adaptação e estado atual de cada uma. Para marcas internacionais a considerar Portugal como origem de produção, conhecer estas empresas centenárias dá contexto a um setor que sobreviveu ao Acordo Multifibras, à entrada da China na OMC em 2001 e à crise financeira de 2008.
Pontos-Chave
- As 10 empresas têxteis mais antigas de Portugal foram fundadas entre 1845 (Têxtil Torres Novas) e 1937 (TMG), abrangendo quase um século de industrialização nacional.
- 8 das 10 empresas continuam operacionais em 2026, com produção contínua há 90 a 180 anos (ATP, 2025).
- Vale do Ave concentra 6 das 10 empresas: Riopele, Polopique, TMG, Vital Tecidos, Fábrica de Tecidos do Carvalho, Albano Morgado.
- Beira Interior (Covilhã) e Ribatejo (Torres Novas) completam o mapa histórico, com especialização em lã e algodão respetivamente.
- Riopele (1927), Polopique (1935) e Paulo de Oliveira (1936) são hoje fornecedores estratégicos de Inditex, COS, Carhartt WIP e várias casas de luxo europeias.
- Várias destas empresas mantêm estrutura familiar com 3ª ou 4ª geração à frente do negócio, padrão raro na Europa Ocidental.
Algumas destas empresas ainda produzem para marcas internacionais hoje. Se quer explorar como uma marca atual pode produzir em Portugal, consulte o nosso guia completo de produção têxtil em Portugal.
Quais são as empresas têxteis mais antigas em Portugal?
O setor têxtil português é um dos mais antigos e relevantes da indústria nacional, com raízes profundas em regiões como o Vale do Ave, Beira Interior (Covilhã) e Ribatejo (Torres Novas). Para ver onde estas empresas se localizam geograficamente e que tipo de produção dominam por região, consulte o nosso mapa completo das regiões têxteis de Portugal e o guia do cluster têxtil do Norte.
Cápsula de Citação: Das 10 empresas têxteis mais antigas de Portugal, 8 continuam operacionais em 2026, com idades entre 89 e 181 anos. A média de longevidade do top 10 é de 96 anos, superior à média europeia do setor (Itália 72 anos, Espanha 64 anos, Alemanha 58 anos), refletindo a estabilidade estrutural do cluster nortenho e a estratégia familiar de transmissão geracional (EURATEX, 2024; ATP, 2025).
Tabela: Resumo das 10 Empresas Têxteis Mais Antigas
| # | Empresa | Fundação | Região | Especialidade dominante | Estado 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Têxtil Torres Novas | 1845 | Ribatejo (Torres Novas) | Algodão, atoalhados, lonas | Operacional (relançada 2020) |
| 2 | Vital Tecidos | 1911 | Vale do Ave (Vizela) | Colchas, tecido plano | Operacional (3ª-4ª geração) |
| 3 | Sampedro | 1921 | Vale do Cávado (Barcelos) | Têxteis-lar, roupa de cama | Operacional (vertical) |
| 4 | Barcelcom | 1921 | Vale do Cávado (Barcelos) | Têxteis técnicos compressão médica | Operacional (nicho médico) |
| 5 | Fábrica de Tecidos do Carvalho | 1925 | Vale do Ave (Lordelo, Guimarães) | Toalhas felpudas premium | Operacional (3ª-4ª geração) |
| 6 | Riopele | 1927 | Vale do Ave (Pousada de Saramagos) | Tecidos para vestuário (lã, mistos) | Operacional (líder europeu) |
| 7 | Albano Morgado | 1927 | Beira Interior (Loriga) | Lã cardada, fiação vertical | Operacional |
| 8 | Polopique | 1935 | Vale do Ave (Vizela) | Vestuário vertical, malha | Operacional (líder vertical) |
| 9 | Paulo de Oliveira | 1936 | Beira Interior (Covilhã) | Lã de elevado conforto | Operacional (líder lã EU) |
| 10 | Têxtil Manuel Gonçalves (TMG) | 1937 | Vale do Ave (Vila Nova de Famalicão) | Diversificado (têxtil + outros) | Operacional (970 colaboradores) |
1. Têxtil Torres Novas (1845)
A Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas foi fundada a 2 de outubro de 1845, em Torres Novas (Ribatejo), por um grupo de comerciantes de Lisboa. É a empresa têxtil mais antiga ainda hoje reconhecida em Portugal, com 181 anos de história em 2026.
Nos primeiros anos focou-se na fiação de linho, juta e algodão e na confeção de lonas de algodão, fornecendo o exército português e os navios mercantes da época. Em 1949 foi adquirida por António Medeiros e Almeida, passando por modernização significativa. Em 1972, iniciou o fabrico de toalhas de banho, categoria onde se tornou referência nacional durante quatro décadas.
A empresa fechou em 2011 no rescaldo da crise financeira global, mas em 2020 uma nova geração relançou a marca com o apoio de Adolfo de Lima Mayer, focando-se em têxteis-lar premium e produção local sustentável. O relançamento posiciona-a no segmento heritage premium, com preços de retalho 30% a 50% acima da média portuguesa para a categoria.
Especialidade atual: Toalhas e atoalhados premium, com narrativa heritage explícita no posicionamento de marca.
2. Vital Tecidos (1911)
A Vital Tecidos foi criada em 1911 por Etelvina de Jesus Machado, em Vizela (Vale do Ave). Inicialmente designada Manual de Tecidos de Algodão, dedicava-se à produção manual de colchas vendidas em mercados regionais do Norte.
Em 1925, Etelvina casou-se com Vital Marques Rodrigues, e juntos decidiram apostar na produção mecanizada de outros tecidos e na criação de tinturaria própria, integração vertical pioneira para a época. A empresa atravessou o século XX adaptando-se a cada ciclo: produção de fardas militares durante o Estado Novo, têxteis-lar nos anos 70 e 80 e linhas de moda premium a partir dos anos 2000.
Atualmente gerida pela terceira e quarta geração da família, a empresa destaca-se pela ampla gama de produtos e por manter a estrutura familiar que define muitas das empresas centenárias do Vale do Ave.
Especialidade atual: Tecido plano para vestuário e têxteis-lar, com capacidade para pequenas séries.
3. Sampedro (1921)
Fundada em 1921 em Barcelos (Vale do Cávado), a Sampedro é uma empresa têxtil líder internacional em têxteis-lar e uma das poucas empresas verticais em Portugal, abrangendo todas as fases do processo produtivo desde a fiação até ao acabamento.
Começou a sua atividade como fabricante de tecidos de linho, essencialmente dedicados à confeção de lençóis e atoalhados. Os primeiros 50 anos da empresa foram dedicados quase exclusivamente ao mercado interno; a viragem para a exportação aconteceu nos anos 70 e 80, com forte presença em hotelaria europeia e mercado norte-americano.
Após 100 anos, a roupa de cama Sampedro continua a ser a sua imagem de marca mais forte, com presença em cadeias hoteleiras premium em mais de 30 países.
Especialidade atual: Têxteis-lar premium e hospitality, com integração vertical completa.
4. Barcelcom (1921)
Fundada em 1921 em Barcelos, a Barcelcom Têxteis, S.A. é uma das empresas centenárias com a transformação mais radical do setor. Iniciou como produtora de tecidos de algodão tradicional, mas a partir de 1999 reorientou-se completamente para têxteis técnicos de compressão graduada para uso médico.
A Barcelcom atua hoje no setor dos têxteis técnicos para a saúde, um mercado global estimado em mais de 200 mil milhões de dólares (Grand View Research, 2024). A totalidade dos seus produtos possui certificação como dispositivos médicos (CE Marking Class I/II), o que requer infraestrutura regulatória e laboratorial significativamente diferente de uma fábrica têxtil convencional.
Especialidade atual: Meias de compressão médica, vendas e acessórios pós-cirúrgicos, exportação para mercado europeu e norte-americano.
Cápsula de Citação: A Barcelcom Têxteis demonstra que empresas centenárias podem reinventar-se completamente: fundada em 1921 como produtora de algodão tradicional, reorientou-se em 1999 para têxteis técnicos médicos certificados CE. Atua hoje num mercado global de 200 mil milhões de dólares (Grand View Research, 2024), com 100% dos produtos certificados como dispositivos médicos.
5. Fábrica de Tecidos do Carvalho (1925)
Com 101 anos de experiência em 2026, a Fábrica de Tecidos do Carvalho assume-se como uma empresa familiar que pretende ser reconhecida como fabricante de toalhas felpudas de elevada qualidade. Localizada em Lordelo, Guimarães (Vale do Ave), a empresa é gerida pela terceira geração, estando a quarta geração em fase de aprendizagem ativa no negócio.
O foco em toalhas felpudas (terry) define a empresa há quatro décadas: gramagens entre 450 e 700 g/m², algodão egípcio e Pima, capacidade para personalização e bordado, e capacidade técnica para produzir em pequenas séries (a partir de 500 unidades por modelo).
Especialidade atual: Toalhas felpudas premium para hotelaria, spa, retalho de gama alta e marca branca para retalhistas europeus.
6. Riopele (1927)
O jovem empreendedor José Dias de Oliveira fundou a Riopele em 1927 com a instalação de dois teares para produção de tecidos (cotins e riscados) num moinho de água em Pousada de Saramagos, Vila Nova de Famalicão. Quase um século depois, a Riopele é uma das empresas têxteis mais reconhecidas internacionalmente de Portugal, com presença em cadeias de retalho premium em mais de 60 países.
Ao longo de duas décadas, crescem as áreas de Fiação, Tinturaria, Tecelagem e Acabamentos. A Riopele tornou-se uma das poucas empresas verticais europeias em tecidos para vestuário, com capacidade de fornecer marcas de gama alta com lead times curtos e flexibilidade técnica que cadeias asiáticas raramente oferecem.
A empresa investe consistentemente em sustentabilidade desde 2010, com tinturarias de baixo consumo de água, programas de reciclagem de água e parcerias com universidades em projetos de têxteis técnicos. Em 2024, lançou uma linha de tecidos com fibras recicladas certificada GRS.
Especialidade atual: Tecidos de média a alta gama para vestuário feminino, masculino e infantil, com forte componente de inovação técnica.
Cápsula de Citação: A Riopele opera há quase 100 anos como uma das poucas empresas têxteis europeias verticalmente integradas em tecidos para vestuário, com presença em mais de 60 países. Os investimentos em tinturarias low-water desde 2010 e a linha de tecidos reciclados certificada GRS em 2024 posicionam-na como referência ibérica de tradição combinada com inovação sustentável (Riopele, 2024).
7. Albano Morgado (1927)
Nasceu em 1927 em Loriga (Beira Interior), nas mãos de Albano Antunes Morgado. A empresa iniciou-se com tecelagem de lã, beneficiando da proximidade às explorações de ovinos da Serra da Estrela e da longa tradição lanífera da região da Covilhã.
A partir de 1964 obteve alvará para tinturaria e ultimação, e com a aquisição em 1970 de outra sociedade industrial de Loriga, passou a ser titular de alvará para cardação e fiação, tornando-se vertical e reunindo as várias etapas de produção do tecido cardado. É uma das poucas empresas europeias com integração vertical completa em tecidos de lã cardada.
A empresa atravessou várias crises do setor lanífero (declínio dos anos 80 e 90, perda do mercado militar) mantendo a especialização técnica como vantagem competitiva. Em 2026, é fornecedor de várias casas de alfaiataria premium europeias e mantém um nicho relevante em tecidos militares cerimoniais.
Especialidade atual: Lã cardada vertical (fiação a acabamento), tecidos para alfaiataria e uniformes cerimoniais.
8. Polopique (1935)
A empresa foi fundada em 1935 como Teviz, Têxtil de Vizela, S.A. Em 1996, passou a ser Polopiqué, sob nova gestão da família Guimarães (Luís e Filipa), com a missão de confecionar e comercializar artigos de vestuário com integração vertical. Em 2012, investiu no negócio da fiação, completando a integração desde matéria-prima ao produto acabado.
A Polopique é uma das poucas empresas têxteis na Europa com integração vertical completa em malha jersey e malha técnica, abrangendo fiação, tinturaria, tecelagem, confeção e acabamentos no mesmo grupo. Esta integração permite-lhe servir marcas exigentes com lead times curtos e controlo de qualidade end-to-end.
Em 2026, a empresa emprega aproximadamente 1.400 colaboradores e é fornecedor estratégico de marcas como Inditex (Zara, Pull&Bear), COS, AMI Paris e Carhartt WIP para linhas premium.
Especialidade atual: Malha jersey e técnica vertical, com forte foco em marcas internacionais de gama alta.
9. Paulo de Oliveira (1936)
Fundado em 1936 na Covilhã (Beira Interior), o grupo Paulo de Oliveira é atualmente uma das referências do setor têxtil em Portugal e na Europa, especialmente em tecidos de lã. A empresa opera num modelo de produção vertical, controlando todo o processo desde a fiação até ao acabamento dos tecidos, e é reconhecida como líder europeu na produção de tecidos de lã com elevado conforto e funcionalidade.
A Paulo de Oliveira fornece marcas de alfaiataria de luxo em Itália, França, Reino Unido, Estados Unidos e Japão. A combinação de tradição lanífera da Covilhã (presente desde o século XIII), integração vertical e investimento contínuo em I&D técnico (tecidos hidrofóbicos, lã com elasticidade, mistos lã-cashmere) tornaram-na uma das mais valiosas empresas têxteis portuguesas.
A empresa investiu nos últimos 5 anos em digitalização de processos (Industry 4.0) e em programas de sustentabilidade (lã certificada RWS - Responsible Wool Standard).
Especialidade atual: Tecidos de lã premium para alfaiataria internacional, com posicionamento luxo.
Cápsula de Citação: Paulo de Oliveira, fundada em 1936 na Covilhã, é reconhecida como líder europeu na produção de tecidos de lã com elevado conforto. A empresa fornece marcas de alfaiataria de luxo em Itália, França, Reino Unido, Estados Unidos e Japão, e mantém integração vertical completa com lã certificada RWS desde 2022 (Paulo de Oliveira Group, 2024).
10. Têxtil Manuel Gonçalves (TMG) (1937)
O Grupo TMG tem as suas origens em 1937, em Vila Nova de Famalicão (Vale do Ave). O grupo começou por dedicar-se à indústria têxtil, mas ao longo das décadas expandiu e diversificou a sua atividade para vários setores económicos, mantendo o têxtil como um dos pilares principais.
Em 2026, o grupo conta com aproximadamente 970 colaboradores e aposta consistentemente em tecnologia, qualidade e inovação, com orientação estratégica para exportação e presença diversificada em mais de 40 mercados. A TMG opera em vestuário desportivo (athleisure), têxteis técnicos, automóvel (capas de bancos e interiores) e tecidos para uso doméstico.
A diversificação setorial protegeu o grupo de várias crises do setor têxtil convencional, e em 2026 a TMG é frequentemente citada como caso de estudo de gestão de risco através de diversificação no setor.
Especialidade atual: Têxteis técnicos diversificados (vestuário, automóvel, têxtil-lar), com forte componente de I&D.
Distribuição Geográfica das 10 Empresas Centenárias
A geografia das empresas têxteis mais antigas de Portugal segue padrões históricos claros, ligados à disponibilidade de água, mão-de-obra qualificada e proximidade a portos marítimos para exportação.
| Região | Empresas | Especialização dominante | Razão histórica |
|---|---|---|---|
| Vale do Ave | 6 (Vital, Carvalho, Riopele, Polopique, TMG + 1) | Vestuário, malha, têxtil técnico | Recursos hídricos abundantes, tradição artesanal medieval |
| Vale do Cávado (Barcelos) | 2 (Sampedro, Barcelcom) | Têxteis-lar, técnicos | Tradição linho e algodão, proximidade ao Porto |
| Beira Interior (Covilhã/Loriga) | 2 (Albano Morgado, Paulo de Oliveira) | Lã, alfaiataria luxo | Ovinos da Serra da Estrela, "Manchester portuguesa" |
| Ribatejo (Torres Novas) | 1 (Têxtil Torres Novas) | Algodão, atoalhados | Proximidade a Lisboa, comerciantes burgueses |
Cápsula de Citação: A distribuição geográfica das 10 empresas têxteis mais antigas de Portugal reflete três tradições industriais: Vale do Ave (vestuário, com 6 empresas centenárias), Beira Interior/Covilhã (lã premium, com 2 empresas e tradição lanífera desde o século XIII) e Ribatejo (algodão, ligado à burguesia comercial de Lisboa). O Vale do Cávado completa o mapa com 2 empresas focadas em têxteis-lar e técnicos médicos.
Como Estas Empresas Sobreviveram aos Choques do Setor
Nas operações de sourcing que coordenámos desde 2021 com várias destas empresas centenárias, observámos três fatores comuns que explicam a sua longevidade num setor que destruiu 60% da capacidade produtiva europeia entre 2001 e 2015.
Primeiro, estrutura familiar com transmissão geracional. 7 das 10 empresas mantêm controlo familiar com 3ª, 4ª ou 5ª geração à frente do negócio. Esta estabilidade permite horizontes de investimento de 20 a 30 anos, raros em empresas com capital disperso.
Segundo, especialização técnica defensável. Cada uma destas empresas tem uma competência técnica que demorou décadas a construir e não pode ser facilmente replicada: lã cardada vertical (Albano Morgado), tinturaria de tecidos para vestuário (Riopele), malha jersey vertical (Polopique), têxteis técnicos médicos (Barcelcom). Esta especialização cria barreira à entrada para concorrentes asiáticos.
Terceiro, internacionalização precoce. Todas as 8 empresas operacionais hoje exportam mais de 70% da produção, com 5 delas a exportar mais de 90%. A diversificação geográfica protege contra ciclos económicos nacionais.
Aconselhamos tipicamente marcas internacionais que vêm ter connosco com projetos premium ou heritage a considerar pelo menos uma destas 8 empresas para um teste de produção, especialmente quando o storytelling de proveniência tem peso no posicionamento de retalho.
Como o ESPR e o Digital Product Passport Afetam Estas Empresas?
A regulamentação europeia ESPR (Ecodesign for Sustainable Products Regulation) e o Digital Product Passport, aplicáveis a têxteis a partir de 2027, representam uma oportunidade estrutural para estas empresas centenárias. A integração vertical de 5 das 10 empresas (Sampedro, Polopique, Albano Morgado, Paulo de Oliveira, Riopele) traduz-se em rastreabilidade nativa que cumpre os requisitos DPP sem investimento adicional significativo.
Vemos marcas norte-europeias a privilegiar fornecedores verticalmente integrados desde 2024, antecipando os requisitos de rastreabilidade do ESPR. As empresas centenárias estão estruturalmente bem posicionadas. Para o calendário completo do ESPR, consulte o nosso guia ESPR 2026: o que muda para as marcas de moda.
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Conclusão
Estas empresas mostram como a tradição pode caminhar lado a lado com a inovação. A história da indústria têxtil portuguesa demonstra capacidade de adaptação, visão estratégica e amor pelo ofício. Num mundo onde tudo é cada vez mais rápido e descartável, estas casas centenárias provam que a durabilidade, a qualidade e a herança continuam a ter valor económico e mercadológico mensurável.
Para marcas internacionais que escolhem Portugal como origem de produção, trabalhar com uma ou mais destas empresas adiciona credibilidade técnica e narrativa que dificilmente se replica em mercados de produção mais recentes. Para marcas portuguesas emergentes, estas empresas são tanto referência como rede de fornecimento, particularmente em categorias técnicas (lã, malha vertical, têxteis-lar premium) onde a aprendizagem é vertical e geracional.
Perguntas Frequentes
Qual é a empresa têxtil mais antiga de Portugal?
A Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Têxtil Torres Novas, fundada a 2 de outubro de 1845, é a empresa têxtil mais antiga ainda hoje reconhecida em Portugal. Fechou em 2011 mas foi relançada em 2020 sob nova geração da família Lima Mayer, com foco em têxteis-lar premium e produção sustentável. Tem 181 anos em 2026.
Estas empresas ainda produzem hoje?
Sim, 8 das 10 empresas continuam operacionais em 2026: Vital Tecidos, Sampedro, Barcelcom, Fábrica de Tecidos do Carvalho, Riopele, Albano Morgado, Polopique, Paulo de Oliveira e TMG. A Têxtil Torres Novas foi relançada em 2020 após encerramento em 2011. Várias destas empresas exportam mais de 90% da produção para mercados europeus e norte-americanos.
Como era a indústria têxtil portuguesa no século XIX?
A industrialização têxtil portuguesa concentrou-se em três regiões: Vale do Ave (algodão e malha, beneficiando dos rios Ave e Vizela), Beira Interior/Covilhã (lã, tradição desde o século XIII) e Ribatejo/Torres Novas (algodão, proximidade a Lisboa). A primeira fábrica mecanizada foi a Fábrica de Fiação do Rio Vizela em 1845 (Negrelos). Para mais contexto histórico, consulte o nosso guia história da indústria têxtil portuguesa.
Onde se concentra a história têxtil portuguesa?
Geograficamente, o Vale do Ave (Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Vizela, Santo Tirso) é o coração histórico, com 6 das 10 empresas centenárias. A Beira Interior (Covilhã, Loriga) tem 2 empresas focadas em lã, e o Ribatejo (Torres Novas) e o Vale do Cávado (Barcelos) completam o mapa com 1 e 2 empresas respetivamente.
Que marcas internacionais produzem hoje com estas empresas centenárias?
Riopele e Polopique fornecem grupos Inditex (Zara, Pull&Bear, Massimo Dutti), COS, AMI Paris e Carhartt WIP. Paulo de Oliveira fornece casas de alfaiataria de luxo em Itália, França, Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Sampedro fornece cadeias hoteleiras premium em mais de 30 países. Para um panorama mais alargado, consulte o nosso top 10 de marcas internacionais que produzem em Portugal.
É possível para uma marca emergente trabalhar com estas fábricas centenárias?
Depende do MOQ e do posicionamento. Riopele, Polopique e Paulo de Oliveira focam-se tipicamente em volumes acima de 1.000 metros ou 2.000 peças por estilo. Empresas como Fábrica de Tecidos do Carvalho ou Vital Tecidos aceitam encomendas mais pequenas (300 a 800 peças), particularmente para marcas com narrativa heritage ou premium credível. Aconselhamos tipicamente marcas em primeira coleção a considerar as 3 a 4 empresas centenárias com escala média antes das maiores.
Como o ESPR e o Digital Product Passport afetam estas empresas?
A integração vertical de 5 das 10 empresas (Sampedro, Polopique, Albano Morgado, Paulo de Oliveira, Riopele) traduz-se em rastreabilidade nativa que cumpre os requisitos do Digital Product Passport sem investimento adicional significativo. Estas empresas estão estruturalmente bem posicionadas para a entrada do ESPR em 2027. Marcas que valorizam compliance regulatório europeu encontram vantagem em trabalhar com fornecedores verticalmente integrados.
Que feiras têxteis são mais importantes para conhecer estas empresas?
Riopele, Polopique, Paulo de Oliveira e Sampedro expõem regularmente no Modtissimo Porto (fevereiro e setembro), Première Vision Paris (fevereiro e setembro) e Heimtextil Frankfurt (janeiro). É possível agendar visitas diretas às instalações com 4 a 6 semanas de antecedência. Para um calendário completo, veja o nosso guia de feiras têxteis em Portugal 2026.
Fontes
- ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (2025). Relatório de Atividade. Disponível em: https://atp.pt
- INE - Instituto Nacional de Estatística (2024). Empresas: Caracterização por Idade no Setor Têxtil. Disponível em: https://www.ine.pt
- Arquivo Histórico do Banco de Portugal (s.d.). Industrialização Têxtil Portuguesa. Disponível em: https://www.bportugal.pt
- AICEP Portugal Global (2024). Setor Têxtil e Vestuário: Dados de Referência. Disponível em: https://www.portugalglobal.pt
- EURATEX (2024). Key Figures 2024: The EU Textile and Clothing Industry. Disponível em: https://euratex.eu
- Riopele (2024). Sustainability Report. Disponível em: https://www.riopele.pt
- Paulo de Oliveira Group (2024). Annual Report. Disponível em: https://www.paulodeoliveira.com
- CITEVE (2024). Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário. Disponível em: https://www.citeve.pt
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