O Que é GRS: Global Recycled Standard 2027

published on 20 October 2026
Vista aérea de uma nave de confecção com dezenas de postos de costura em produção simultânea

O Global Recycled Standard (GRS) é a norma da Textile Exchange que certifica o conteúdo reciclado de um produto e a cadeia de custódia desse material, do reciclador até ao último vendedor entre empresas. Aplica-se a produtos com pelo menos 20% de material reciclado, e só os produtos com 50% ou mais podem levar a etiqueta GRS (Textile Exchange, GRS 5.0). Além do conteúdo, exige critérios sociais, ambientais e químicos nas unidades que processam o material.

Este guia explica o que o GRS certifica e o que não certifica, em que difere do Recycled Claim Standard (RCS), como funcionam os certificados, como se certifica uma empresa, o que se pode escrever na etiqueta e que limites tem o poliéster reciclado, a fibra reciclada mais usada no vestuário.

Nota: a texteis.org é um grupo de 80+ fábricas têxteis portuguesas verificadas, com sede no Porto e Guimarães. Os dados deste guia vêm dos documentos públicos da Textile Exchange e da legislação europeia, verificados em outubro de 2026; as normas mudam, por isso confirme sempre a versão em vigor.

Pontos-chave

  • Norma: o GRS é gerido pela Textile Exchange e certifica conteúdo reciclado, cadeia de custódia e práticas sociais, ambientais e químicas.
  • Limiares: 20% de reciclado para certificar; 50% para pôr a etiqueta GRS no produto. O RCS começa nos 5%.
  • Cadeia: cada etapa, do reciclador ao último vendedor entre empresas, tem de estar certificada.
  • Documentos: certificado de âmbito por empresa e certificado de transacção por remessa, emitido pelo organismo de certificação.
  • Versão: GRS 5.0, em vigor desde 1 de julho de 2026 e obrigatória a partir de 31 de dezembro de 2026.
  • Transição: a Textile Exchange está a passar as suas normas para o Materials Matter Standard (obrigatório a partir de 31 de dezembro de 2027).
  • Etiqueta: indica a percentagem certificada, o organismo de certificação e o número de licença, e tem de ser aprovada pelo organismo.

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O Que é o GRS?

O GRS é uma norma voluntária, gerida pela Textile Exchange, para produtos com conteúdo reciclado. Os objectivos que a própria norma declara são alinhar as definições de reciclado, rastrear o material reciclado desde a entrada na cadeia, dar a marcas e consumidores uma ferramenta para decidir, reduzir o impacto da produção nas pessoas e no ambiente e incentivar percentagens mais altas de reciclado (Textile Exchange).

A norma segue as definições da ISO 14021 e aceita dois tipos de material:

  • Pré-consumo: material desviado do fluxo de resíduos durante o fabrico, como restos de corte ou fio de refugo. Não conta o material reaproveitado dentro do mesmo processo que o gerou.
  • Pós-consumo: produtos que chegaram ao fim da sua utilização, de casas, comércio ou indústria, incluindo devoluções da cadeia de distribuição. No poliéster, a origem mais comum são as garrafas de bebida.

O GRS aplica-se a qualquer fibra ou material reciclado: poliéster, poliamida, algodão, lã, entre outros. Não está ligado a um país nem a um tipo de fábrica. O que certifica é o material e as empresas que o transformam e vendem.


Que Versão do GRS Está em Vigor?

A versão actual é a GRS 5.0, em vigor desde 1 de julho de 2026 e obrigatória para todas as auditorias a partir de 31 de dezembro de 2026, data em que substitui a GRS 4.0, de 2017 (GRS 5.0). É uma revisão limitada: a mudança principal é o novo formulário de declaração de material recuperado (Reclaimed Material Declaration Form), que documenta de forma estruturada os resíduos que entram na cadeia certificada. O RCS passou ao mesmo tempo para a versão 3.0, com as mesmas datas (RCS 3.0).

Há uma mudança maior a caminho. A Textile Exchange está a unificar as suas normas no Materials Matter Standard, cujos critérios foram publicados em 12 de dezembro de 2025; a norma entra em vigor em 31 de dezembro de 2026 e torna-se obrigatória em 31 de dezembro de 2027 (Textile Exchange). Para uma marca que vai certificar-se agora, a pergunta prática a fazer ao organismo de certificação é a que norma será feita a próxima auditoria.


O Que o GRS Certifica Exactamente?

O GRS certifica várias coisas ao mesmo tempo, e confundi-las é a origem da maior parte dos erros de comunicação.

Conteúdo reciclado

Verifica que o material declarado como reciclado o é de facto, com documentação desde a origem do resíduo. O produto tem de ter pelo menos 20% de conteúdo reciclado, em massa, para ser certificado, e 50% para levar a etiqueta GRS dirigida ao consumidor.

Conteúdo reciclado mínimo% de conteúdo reciclado, em massa0%25%50%75%100%RCS: certificação5%GRS: certificação (entre empresas)20%GRS: etiqueta no produto50%Fonte: Textile Exchange, RCS 3.0 e GRS 5.0 (2026).
Conteúdo reciclado mínimo para certificar (RCS e GRS) e para usar a etiqueta GRS no produto. Fonte: Textile Exchange, RCS 3.0 e GRS 5.0.

Cadeia de custódia

É a parte que dá valor à norma. Cada etapa de produção tem de estar certificada, a começar na reciclagem e a acabar no vendedor da última transacção entre empresas. Os locais de recolha e de concentração de resíduos ficam sujeitos a autodeclaração, recolha de documentos e possíveis visitas. Se um elo da cadeia não estiver certificado, o produto final deixa de poder ser vendido como GRS, mesmo que o material seja de facto reciclado.

Critérios sociais

Aplicam-se a todas as operações da empresa certificada e seguem os princípios do Global Social Compliance Programme: proibição de trabalho forçado e de trabalho infantil, liberdade de associação, não discriminação, saúde e segurança, salários e benefícios e horários de trabalho. Em cada ponto aplica-se a regra mais exigente entre a norma internacional, a lei local e o próprio GRS.

Critérios ambientais

A empresa certificada tem de ter um sistema de gestão ambiental e um sistema de gestão de químicos, registar o consumo de energia e de água, controlar efluentes, emissões e resíduos, cumprir as licenças aplicáveis e fixar metas de melhoria. A conformidade é verificada na auditoria anual.

Restrições químicas

Os químicos usados no processamento de produtos GRS não podem conter substâncias de muito elevada preocupação (SVHC) do regulamento europeu REACH, nem substâncias com determinadas classificações de perigo, e têm de cumprir a lista de substâncias restritas na produção (MRSL) da ZDHC.

O que o GRS não certifica

A própria norma diz que restringe os químicos usados no processamento, mas não trata dos químicos presentes no material recuperado nem do que possa estar no produto final; para isso, a marca precisa da sua lista de substâncias restritas e, se for o caso, de testes como os da OEKO-TEX. O GRS também não certifica que a peça seja reciclável no fim de vida, não mede a pegada de carbono do produto e não diz nada sobre a durabilidade, que é provavelmente a variável ambiental mais importante e que nenhuma norma de material mede.

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GRS ou RCS: Qual Escolher?

As duas normas são da Textile Exchange e, nas palavras da própria, são iguais, excepto que o GRS é mais rigoroso: tem uma percentagem mínima mais alta e requisitos adicionais de processamento, sociais, ambientais e químicos (Textile Exchange, FAQ).

CritérioGRSRCS
Conteúdo reciclado mínimo para certificar20%5%
Etiqueta no produtoSó com 50% ou maisPrevista, segundo as regras da RCS
Verifica o conteúdo recicladoSimSim
Cadeia de custódia certificadaSimSim
Requisitos sociaisSimNão
Requisitos ambientais de processoSimNão
Restrições químicas no processamentoSimNão

Fonte: Textile Exchange, GRS 5.0 e RCS 3.0 (2026). Confirme sempre a versão em vigor.

Em termos práticos: o RCS responde à pergunta «este material é reciclado?», e nada mais. O GRS responde a essa pergunta e acrescenta como e em que condições o material foi processado. Uma marca que só queira verificar o conteúdo pode escolher o RCS; uma marca que queira sustentar uma afirmação mais ampla sobre a produção precisa do GRS.

Há um cuidado a ter com percentagens baixas. Como o RCS começa nos 5%, uma peça com credenciais de reciclado pode ser maioritariamente de material virgem. As regras de comunicação da Textile Exchange obrigam a indicar a percentagem certificada nas alegações sobre o produto, e é esse número que o cliente deve ver. Uma marca que destaque o reciclado sem mostrar a percentagem, ou que a esconda, arrisca uma alegação enganosa.


Certificado de Âmbito e Certificado de Transacção

O GRS funciona com dois tipos de documento, e convém não os confundir:

  • Certificado de âmbito (scope certificate): emitido a cada empresa certificada, indica os processos e as categorias de produto que essa empresa está autorizada a produzir ou vender como GRS. Prova que a empresa pode fornecer material certificado, não que uma encomenda concreta o é.
  • Certificado de transacção (transaction certificate): emitido pelo organismo de certificação aprovado para uma venda concreta de produto GRS. Todo o material reciclado que entra na cadeia tem de estar coberto por um certificado de transacção válido, e a percentagem pré-consumo e pós-consumo de cada lote fica registada nele.

Os dois verificam-se online. O certificado de âmbito confirma-se na base pública Find a Certified Company da Textile Exchange, que pode ter algumas semanas de atraso; o certificado de transacção confirma-se na ferramenta Authenticate a Transaction. Em caso de dúvida, contacte o organismo que emitiu o certificado.

Modelista a trabalhar padrões de ganga em software CAD, com fichas técnicas impressas sobre a mesa
A composição do tecido, incluindo a percentagem de reciclado, deve constar da ficha técnica e coincidir com o certificado de transacção.

Antes de fechar uma encomenda, peça ao fornecedor o certificado de âmbito e confirme que cobre o processo e o produto em causa. Depois de entregue, peça o certificado de transacção da remessa. É bastante mais fácil pedi-lo na altura da encomenda do que tentar obtê-lo meses depois.


Como se Certifica uma Marca em GRS?

Primeiro, é preciso saber se a marca precisa de certificação própria. A certificação vai até ao vendedor da última transacção entre empresas. O GRS isenta os comerciantes com menos de 10.000 dólares de volume anual de produtos GRS e os retalhistas que vendem apenas ao consumidor final, desde que não reembalem nem voltem a etiquetar os produtos; os comerciantes isentos por volume têm de se registar num organismo de certificação aprovado. Uma marca que venda a lojas e queira a etiqueta GRS precisa, em regra, de estar certificada. Como cada caso tem pormenores, confirme o seu com um organismo de certificação.

As etapas quando a certificação é necessária

  1. Mapeie a cadeia. Identifique cada empresa, do reciclador ao confeccionador, e confirme na base pública quais estão certificadas. Um elo não certificado interrompe a cadeia e é o problema mais comum.
  2. Escolha um organismo de certificação aprovado pela Textile Exchange. Peça proposta a mais do que um, porque os preços variam e não há uma tabela única pública.
  3. Prepare a documentação interna: registos de compra, produção e venda que permitam reconstruir os fluxos de material, procedimentos de separação entre material certificado e não certificado e, nas unidades de produção, os sistemas de gestão social, ambiental e de químicos que a norma exige.
  4. Auditoria inicial às instalações e aos registos.
  5. Certificados de transacção por remessa. Depois da certificação, cada venda de produto GRS precisa de um certificado de transacção, pedido ao organismo de certificação. É o trabalho contínuo que a norma impõe.
  6. Auditoria anual para manter a certificação.

O que costuma ser subestimado

O custo directo da auditoria é muitas vezes o menor. O maior é o trabalho administrativo contínuo de pedir e arquivar certificados de transacção, e a limitação a fornecedores certificados, que são menos e nem sempre os melhores para o produto em causa. Uma marca pequena deve avaliar com honestidade se precisa da certificação em nome próprio ou se lhe basta comprar a fornecedores certificados e guardar os documentos.


O Que Pode e Não Pode Escrever na Etiqueta?

As alegações sobre produtos certificados seguem a política de alegações da Textile Exchange (Standards Claims Policy, versão 1.4). Uma alegação sobre o produto tem de incluir o número de licença ou o TE-ID de quem faz a alegação, o nome do organismo de certificação, a percentagem de conteúdo certificado e o logótipo da norma, e tem de ser aprovada pelo organismo de certificação antes de ser usada. Um retalhista não certificado usa o número de licença e o organismo da marca certificada que o fornece.

O que pode escrever

A percentagem exacta de conteúdo reciclado certificado e o material em causa, por exemplo: «Contém 60% de poliéster reciclado certificado GRS, certificado por [organismo] [número de licença]». Pode também explicar em texto corrido o que a certificação verifica, o que costuma ser mais convincente do que o próprio selo.

O que não pode escrever

Não pode dizer que a peça é reciclável, porque o GRS não certifica isso. Não pode estender a certificação de um componente ao produto inteiro. Não pode pôr a etiqueta GRS num produto com menos de 50% de conteúdo reciclado. E não deve juntar palavras como sustentável, ecológico ou amigo do ambiente apoiadas apenas nesta certificação, porque o GRS cobre um aspecto e não o desempenho ambiental global.

A regra europeia

Desde 27 de setembro de 2026, os Estados-Membros aplicam a Directiva (UE) 2024/825, que proíbe alegações ambientais genéricas sem demonstração e rótulos de sustentabilidade que não assentem num sistema de certificação ou não tenham sido criados por autoridades públicas. A proposta de directiva sobre alegações ecológicas (Green Claims), de 2023, ficou parada em junho de 2025, mas as regras da Directiva 2024/825 já se aplicam. A melhor defesa é escrever o facto verificável e guardar os certificados de transacção de cada remessa.


Que Limites Tem o Poliéster Reciclado?

A maior parte do poliéster reciclado usado em vestuário vem de garrafas de bebida, não de roupa. Isto raramente é explicado e tem três consequências que qualquer marca que comunique o material deve conhecer.

Não é circularidade têxtil

Tirar uma garrafa de um sistema que já a reciclava em garrafa nova para a transformar numa peça de roupa que ninguém vai reciclar no fim de vida não fecha nenhum ciclo. É melhor do que usar material virgem na peça, e é bastante menos do que a palavra circular sugere ao consumidor. Ver fibras recicladas e moda circular.

A qualidade degrada-se a cada ciclo

A reciclagem mecânica encurta as cadeias do polímero, o que limita o número de vezes que o material pode ser reprocessado e condiciona as aplicações. A reciclagem química resolve isto em teoria, mas ainda não está disponível à escala e ao preço que uma marca pequena consiga usar.

Continua a libertar microfibras

Uma peça em poliéster reciclado liberta microfibras na lavagem tal como uma peça em poliéster virgem. O facto de ser reciclado não muda esse comportamento.

O que fazer com esta informação

Não é motivo para abandonar o material, que continua a ser preferível ao virgem na maior parte das aplicações. É motivo para calibrar a linguagem. Uma marca que diga exactamente o que faz, «contém uma percentagem concreta de poliéster reciclado certificado», está em terreno sólido. Uma marca que venda a mesma peça como solução ambiental fica exposta ao primeiro jornalista, concorrente ou regulador que decida verificar.


Como Produzir com Material GRS em Portugal?

Portugal tem uma indústria de fiação, tecelagem, malha, tinturaria e confecção concentrada no Norte, sobretudo no Vale do Ave e em Barcelos (ver o cluster têxtil do Norte). Para uma peça GRS, todas as empresas da cadeia que transformam ou vendem o material têm de estar certificadas, e não apenas a confecção. Quais estão certificadas, e para que processos, vê-se na base pública Find a Certified Company.

Antes de encomendar, confirme três coisas:

  • Certificado de âmbito de cada empresa da cadeia, válido e com o processo e o produto certos;
  • Percentagem de reciclado do tecido, abaixo ou acima dos 50%, porque decide se a peça pode levar a etiqueta GRS;
  • Certificado de transacção de cada remessa, que vai precisar para sustentar qualquer comunicação.

Se a composição é o argumento de venda, compare também com outras certificações, como a GOTS para algodão biológico. Ver certificação GOTS em Portugal, certificações têxteis e tecidos em Portugal.

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Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre GRS e RCS?

As duas normas são da Textile Exchange e verificam o conteúdo reciclado e a cadeia de custódia. O RCS aplica-se a produtos com pelo menos 5% de material reciclado e fica por aí. O GRS aplica-se a partir de 20%, só permite a etiqueta no produto a partir de 50% e acrescenta requisitos sociais, ambientais e químicos para as unidades que processam o material.

Qual é a percentagem mínima de reciclado no GRS?

Para certificar um produto, 20% de conteúdo reciclado, medido em massa. Para usar a etiqueta GRS no produto, dirigida ao consumidor, o produto tem de ter pelo menos 50% de conteúdo reciclado. Entre 20% e 50%, o material pode ser vendido como GRS entre empresas, mas a peça não leva a etiqueta.

O GRS aceita reciclado pré-consumo?

Sim. O GRS aceita material pré-consumo (desviado de resíduos durante o fabrico) e pós-consumo (produtos que já cumpriram a sua função). Não conta como reciclado o material que é reaproveitado dentro do mesmo processo que o gerou, como retalhos ou desperdícios que voltam directamente à mesma linha. A percentagem pré e pós-consumo de cada lote fica registada no certificado de transacção.

Uma marca pequena precisa de ser certificada?

Depende do papel na cadeia. A certificação vai do reciclador até ao vendedor da última transacção entre empresas. Ficam isentos os comerciantes com menos de 10.000 dólares de volume anual de produtos GRS e os retalhistas que vendem apenas ao consumidor final, desde que não reembalem nem voltem a etiquetar os produtos. Uma marca que venda a lojas e queira a etiqueta GRS precisa, em regra, da sua própria certificação. Confirme o seu caso com um organismo de certificação.

Quanto custa a certificação GRS?

Não há uma tabela única pública. O custo da auditoria inicial e da auditoria anual é orçamentado por cada organismo de certificação aprovado, e depende da dimensão e da complexidade da operação. A isso somam-se o diferencial de preço do material reciclado certificado e o trabalho administrativo de pedir e arquivar certificados de transacção. Peça proposta a mais do que um organismo.

Que versão do GRS está em vigor?

A versão 5.0, em vigor desde 1 de julho de 2026 e obrigatória para as auditorias a partir de 31 de dezembro de 2026. É uma revisão limitada, sobretudo para introduzir o novo formulário de declaração de material recuperado. A Textile Exchange está também a substituir as suas normas pelo Materials Matter Standard, que entra em vigor em 31 de dezembro de 2026 e passa a obrigatório em 31 de dezembro de 2027.

Como verifico se um fornecedor tem GRS?

Peça o certificado de âmbito (scope certificate) e confirme-o na base pública Find a Certified Company da Textile Exchange, verificando se cobre o processo e o produto que vai comprar. Para cada remessa, peça o certificado de transacção, emitido pelo organismo de certificação, e confirme-o na ferramenta Authenticate a Transaction. Em caso de dúvida, contacte o organismo que emitiu o certificado.

É possível combinar GRS com GOTS na mesma peça?

Uma peça pode juntar materiais com certificações diferentes, por exemplo algodão biológico certificado e poliéster reciclado GRS, e cada material mantém a sua certificação e a sua percentagem. As regras de comunicação de cada norma aplicam-se separadamente, e a etiqueta GRS continua a exigir 50% de conteúdo reciclado no produto. Confirme a formulação com os organismos de certificação antes de imprimir etiquetas.

O GRS chega para o Passaporte Digital do Produto?

Ainda não se sabe. O regulamento europeu de concepção ecológica (ESPR) está em vigor desde julho de 2024 e os têxteis estão entre os primeiros grupos de produtos, mas os dados exigidos ao vestuário ainda vão ser fixados num acto delegado. Os certificados de transacção GRS, com a composição e a origem do reciclado de cada lote, são documentação útil para guardar desde já.


Conclusão

O GRS é a norma da Textile Exchange para conteúdo reciclado com exigências de produção: verifica o reciclado e a cadeia de custódia, como o RCS, e acrescenta critérios sociais, ambientais e químicos para quem processa o material. Certifica a partir de 20% de reciclado, mas a etiqueta no produto só é possível a partir de 50%, e cada alegação tem de mostrar a percentagem, o organismo de certificação e o número de licença. A versão 5.0 é obrigatória a partir de 31 de dezembro de 2026, e a transição para o Materials Matter Standard já começou. Para uma marca pequena, o mais útil é comprar a fornecedores certificados, verificar os certificados na base pública e guardar o certificado de transacção de cada remessa.

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Fontes

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